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ESPELHO DA ALMA*LINGUAGEM DA LUZ

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


A Deusa


Os que seguem a Religião da Deusa sabem que é Ela a responsável por tudo o que existe. A Deusa não governa o mundo de um lugar distante e transcendental. Ela é o mundo, Ela está no mundo. Ela é tudo que existe, existiu e existirá. Ela está dentro e fora. Ela permeia tudo e todos.

As forças de criação, manutenção e destruição fazem parte do ciclo da vida e da Natureza. A Grande Deusa é então A Criadora, A Nutridora e A Destruidora. Por ser e conter o ciclo contínuo de vida, morte e renascimento a Deusa é também chamada por algumas vertentes de Deusa Tríplice, uma denominação que enfatiza essas três energias. A Deusa então ganha os títulos de Donzela, Mãe e Anciã, dependendo de qual energia quer se evidenciar no momento.

Podemos verificar bem esta representação em relação a Lua. Por ser considerada uma grande representante das energias femininas e da Deusa, a Lua vem simbolizar as Suas três faces. Mas as correspondências não param por aí e no ciclo anual do Sol – que como força criadora era associado à Deusa antes das sociedades patriarcais – também encontramos as três faces da Deusa.

Antigas culturas pagãs e sábias como a nórdica e o xamanismo das tribos nativas norte-americanas , só para citar algumas, tinham a Criação como feminina. Por outro lado , culturas também cheias de sabedoria e conhecimento , como a egípcia e a celta, cultuavam as Deusas Solares . Osíris (Deus egípcio), por exemplo, foi originalmente relacionado a Lua.

É por tudo isto e por bem mais que para mim tanto o Sol quanto a Lua correspondem a Deuses e Deusas. Me parece um pensamento muito cartesiano essa classificação tão polarizada e compartimentada de que o feminino é a Lua e o masculino é o Sol.

Na realidade em que vivemos, onde há a dualidade, nos inclinamos a polarizarmos tudo. Mas essa dualidade aparente é uma ilusão e na verdade as polaridades se complementam, se misturam a fim de gerar equilíbrio e vida.

Temos a essência masculina e feminina em nós. Tudo no mundo, na vida, é permeado por essas essências, assim Sol e Lua podem ser identificados tanto com o masculino, quanto com o feminino.
Mas quando falo em Deusa, Ela está acima do Sol e da Lua. Ela é a força de Criação do Universo, mas Ela também é esse Universo, Ela está em tudo e por isto está e é também o Sol e a Lua, assim como a Terra.

Sinceramente não sei se todas as vertentes do Caminho da Deusa a vêm desse modo. Muitas das antigas tradições pagãs sim, mas nem todas. Para mim o que importa é como eu a sinto, a energia criadora, que eu chamo de Deusa , talvez por sentir a Sua presença ,a Sua generosidade, a Sua compaixão e tantos outros atributos da essência feminina que foram banidos das religiões patriarcais. O Deus judaico-cristão para mim sempre foi muito distante, nunca o senti próximo. As religiões patriarcais sempre cultuaram a culpa, o medo, o castigo e a repressão e não a liberdade, a fartura e a igualdade que fazem parte da Religião da Deusa.



Eu sinto a Deusa perto, olho para o céu, para uma árvore e A sinto. Com Ela sinto a magia na vida e no mundo. Minha percepção muda. Sinto-A em mim, como posso senti-La em qualquer momento, é só pensar Nela, só me abrir para Ela. Sei que posso contar com Ela.

É importante dizer que não vejo as inúmeras Deusas de várias culturas como aspectos da Grande Deusa, como muitos grupos as vêm. Nessas horas (e muitas outras) estou de mãos dadas com o paganismo celta e outras culturas antigas e sábias.

As Deusas não são meros arquétipos, ou energias como muitas correntes modernas pregam. Elas são entidades individuais, existem em outros planos e são seres super poderosas, assim como os diversos Deuses, que também não são meros aspectos do Deus. Deusas e Deuses também foram criados por esta força enorme e consciente de criação que chamo de Deusa.

A Deusa então os permeia também, mas isto não quer dizer que eles são meros aspectos Dela. A Deusa nos permeia mas temos nossa própria individualidade. Com os Deuses e Deusas acontece o mesmo, sendo que Eles são dotados de muito mais poder divino que nós, por isto são chamados de Deuses e Deusas. Eles podem nos ouvir, interceder por nós, se quiserem.

Sempre uso maiúscula para escrever quando falo das Deusas e Deuses porque os reverencio como seres superiores que são, como divindades, e por isto dou grande importância e Eles. Faria o mesmo se fosse católica e fosse me referir a um santo ou anjo.

Como já disse, a Deusa rege toda a Natureza e toda a existência. Ela rege, sendo regida por Ela própria; Ela cria, sendo criação de si mesma. Ela É e Está em tudo! Assim, dentro de seu ciclo de criação (e destruição) temos os seus aspectos de Donzela, Mãe e Anciã.

Inumeras Deusas de diversos panteões acabam por se identificar mais com uma face da Grande Deusa. Isto não quer dizer que Elas não possuam as outras faces. Claro que possuem, assim como nós e tudo no mundo. Mas as histórias de seus mitos mais conhecidos acabam por identificá-las mais com um ou outro aspecto da Grande Deusa.

Entretanto encontramos muitas Deusas que através de suas amplas mitologias evidenciam os três aspectos de Donzela, Mãe e Anciã e por isto são denominadas de Deusas Tríplices. A força da cultura de uma região também é de vital importância para este fato, como por exemplo, a cultura celta, que sempre valorizou o poder sagrado da triplicidade e o sentido de Totalidade, daí a maioria de suas Deusas serem reconhecidas como Deusas Tríplices. Algumas das Deusas Tríplices celtas são: Cerridwen, Morrighan e Brighit. Em outras culturas também encontramos Deusas Tríplices como Ísis(egípcia) e Sedna (Inuit), só para citar algumas.

A seguir apresento as três faces da Deusa mais especificadas e dentro de suas representações Lunares e/ou Solares:

A Donzela é representada pela Lua Nova a Crescente dentro do ciclo Lunar e pela Primavera dentro do ciclo Solar. Ela é a energia dos novos começos, a juventude, a esperança, as sementes, o crescimento, a vitalidade, o lúdico. Como Deusa Ela aparece enaltecendo Sua beleza, feminilidade e sexualidade. Muitas vezes é denominada de Virgem, mas não no sentido de abstinência sexual. E sim no sentido de não pertencer a ninguém, de ser livre e completa em Si mesma.

Dentre as Deusas que representam a face Donzela inumero algumas: Pérsefone (grega), Ártemis (grega), Diana (romana), Eostre (germânica), Aine (celta), Branwen (celta), Bast (egípcia).

A Lua Cheia e o verão trazem o aspecto Mãe da Deusa. Ela é aquela que nutre, protege e ama incondicionalmente; Ela é fértil e próspera. Sua sexualidade é exuberante e também a Sua beleza. Ela está plena de Sua potência e força vital. Muitas vezes a Deusa Mãe é representada grávida, ou com vários seios, ou com seu filho nos braços, representando o Deus que renasce de seu ventre.

Algumas das Deusas Mãe são: Deméter (grega), Ísis (egípcia), Danu (celta), Freya (nórdica), Lakshmi (indiana), Maeve (celta), Inanna (suméria), Kuan Yin (chinesa).

A Deusa como Anciã vem com a Lua Minguante e com o meio do outono e com o inverno, que nos convidam para um tempo de maior interiorização e introspecção. A Deusa como Anciã é a parteira, a Bruxa, a Mulher Sábia, pois é a Senhora da Sabedoria e conhece o oculto e a magia. É a Rainha dos Mistérios e também Deusa da Cura. Ela rege os finais, o desapego, o conhecimento, as transformações e a morte. Lembrando que a morte contém a vida (e vice-versa), e assim como a Lua que mingua desaparecendo no céu, ressurgindo Nova para iniciar um novo ciclo, assim como o Sol se poem desaparecendo no horizonte e volta a brilhar iniciando um novo dia, a vida se reinicia num ciclo contínuo de vida- morte-vida.

Também estamos sempre nos transformando, abrindo e fechando ciclos. Alguns procuram estas mudanças, outros resistem em vão e parecem mortos-vivos. As transformações podem ser sutis e internas, mas uma mudança de energia e percepção ocorre e, daí, tudo se torna novo, mesmo que aparentemente nada tenha mudado.

Algumas Deusas Anciãs: Baba Yaga (escandinava), Hécate (grega), Kali (indiana), Cailleach (celta), Sheela Na Gig (celta).

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